A verdade é que, é muito mais fácil escrever quando se está sofrendo. Pelo menos pra mim, sempre foi desse jeito. Tantas vezes desabafei em linhas o que eu estava passando, aquela ânsia das coisas não darem certo pra mim, fazia eu caminhar por entre as palavras e isso me causava certo conforto. Imaginar amores impossíveis, sonhar com realizações improváveis… tudo caminhava lado a lado com a minha escrita.

Chorar e pegar a caneta e o papel era a mais divertida das horas, ficar no meu canto, sossegada no meu mundo, não ter limites para cuspir o que precisava ser escrito. Escrever era uma parte minha que eu nunca pensei que abriria mão. Mas abri. Talvez eu não fosse tão criativa e talentosa assim. Talvez fosse uma paixão daquelas avassaladoras porém curtas, finitas. E eu me sinto mal toda vez que penso nessa possibilidade.

Agora, quando me entristeço, só me isolo e fico torcendo para que as coisas passem logo, que os monstros parem de gritar aos meus ouvidos, que a vida seja, pelo amor de Deus, um pouco mais fácil. Ando em uma sinuca de bico sem fim, uma ânsia de que as coisas vão só piorar e definhar e eu não consigo mais colocar nada pra fora, nem uma palavrinha, frases soltas, nada. Minha mente virou um espaço em branco. Uma pena, que pena…

Não tem mais sonhos com receber flores e versos, não existem mais músicas que me fazem chorar. Acho que empedrei de uma forma tão ruim que sequei todas aquelas coisas que faziam meu ser faiscar.

Não vou conseguir terminar esse texto, pra variar. Talvez esse seja o meu novo eu: sem ânimo para desabafar, apenas empurrando com a barriga os dias que me são dados.

Não tão mais francesa.

As pessoas mudam tanto em tão pouco tempo. As prioridades viram esquecimento, amores são enterrado há sete palmos do chão para que floresçam outros, mudamos os cabelos, as músicas e até mesmo a forma de nos expressarmos.

Vez ou outra, me pego nostálgica pensando nesses anos todos em que nutri o sonho de ser escritora, artista, apaixonada. Vejo o quanto sofri por coisa supérfluas e em como eu depositava esperança nessa minha viagem literária pelos sete mares.

Sinto falta de escrever assim, com a alma. E gostaria tanto de poder voltar… mas sempre que começo, desisto por achar que perdi o jeito. Engraçado, né? Talvez eu tenha mudado tanto, que essa minha parte menina, que sonhava em morar na França e poder viver das minhas criações tenha resolvido ir dormir… mas isso dói.

Ainda escuto as músicas de Yann Tiersen e choramingo pelos cantos. Mas hoje, vivo um amor aventureiro e saudável, que não me faz sofrer. Exploro o que a vida me traz de melhor, mas com cada vez menos tempo de ser cabeça nas nuvens. A dor de precisar crescer às vezes me assusta, faz com que eu fique encolhida na cama a noite, sentindo falta da minha forma bonita de ver o mundo, da forma simples em que eu só flutuava e as coisas aconteciam.

Talvez eu não queira crescer. Talvez eu ainda ache incrível a sensação de escutar o acordeon tocando nos fones de ouvido enquanto penso em algo bobinho para escrever. Talvez, no fundo do meu peito, em algum canto escondido, exista ainda a necessidade de deixar a minha mente rodopiar e escalar palavras em forma de valsa, de surra, de todas as formas de amor.

Pensei que não precisava mais escrever, porque o meu escrever era sofrimento. Mas hoje entendo que não. Sou feita disso e não posso negar. E nem quero mais! Agora seja o que a literatura quiser de mim…

Amontoado.

Vou transformar meu blog em um diário mais pessoal.
Começando!

Nada aconteceu. Talvez eu precise ler mais para conseguir me inspirar em viver essas aventuras enormes que o mundo literário tem. Talvez eu espere muito do mundo, quando, na verdade, ele é um monte de chatice e as coisas legais estão só dentro de nós e dos nossos sonhos. Não sei! As coisas andam confusas… estou em um momento de nada, meu futuro está travado nas decisões que preciso tomar para dar continuidade as minhas histórias, mas decisões são tão incertas e na grande parte das vezes tão decepcionantes, que bate uma preguiça imensa de correr atrás. Meu livro parou no capítulo 19, talvez por pura ironia da vida, já que em menos de um mês completo duas décadas em terra. E eu não sei se é sobre amores biológicos que quero escrever. Será que dá tempo de mudar? Sinuca de bico define meu momento agora. São Bukowski de Andernach, me ajuda nessa questão, faz “favô”.

Faísca.

Esquiva da espada que
rasga sua vontade de viver
e de ver que há caminho
a ser trilhado.

Feliz é aquele que vive a leve vida
de forma intensa e não cansa de lutar.

Tranquilo é aquele que respira
seus amores, suas dores e
não se importa em se envenenar às vezes.

Rico é aquele que não guarda mágoas,
que encara as derrotas com naturalidade,
que transborda maturidade em fases ruins.

Quem dera poder ser tudo que escrevo e penso,
falar é fácil,
viver manso que é difícil.

Faço dessas palavras a minha lei!

Se não for para viver de amor, que eu “viva” há sete palmos do chão, fazendo com que as larvas me amem por alimentá-las.

Escrito em 27/03/2011, em um caderno velho de anotações.

Ps: saudade dessa época, eu costumava a escrever mais.

Sintonia.

Sinta a euforia que é
Ter você nos braços
meus.
Você: desassossego total,
amor além da epiderme,
insano, fervente, completo.
Contigo me sinto completa
mente completa, copo-meio-cheio, transbordando, indo em correnteza para todo canto. É amor que não se consegue medir.
A parte que falta em mim há
bita em (você) suas vísceras.
Falta entender o que me faz,
ver que só você pode ter,
tanta paz e me dar conta que
sem isso eu sou tanto faz.
Estranho sentir isso tu
dominando meu ser
ia isso, eterno amor e além?
Seria eu completa e perfeita
pros seus passos de loucu
rasas de medo?
Torço para que sim,
porque você é a melhor parte de mim.
E a mais bonita também,
meu bem.

Flocos de algodão.

Acho incrível a forma em como você acorda lindo. Sim, lindo. Com os olhos pequenos de sono, os lábios encontrando-se em um bico e as sobrancelhas extremamente arqueadas.
Acho incrível a forma em como você permanece lindo após o café, já de banho tomado, sorriso estampado, cabelo bagunçado e muitos beijos com gosto de creme dental. De hortelã!
Com o decorrer da tarde, você se esconde no sofá, nas cobertas, nos meus abraços, pertinho… pertinho. E me beijando o nariz e os lábios na mesma tacada, repetindo “não respira” de um jeito tão meigo que me faz querer explodir. De amor.
A noitinha, você resolve começar com as suas piadas péssimas e suas crises de riso que quase me fazem urinar nas calças e quando eu vejo aquele seu sorriso torto e carinhoso, entendo todos os motivos que me trouxeram até aqui: a sua alma é tão linda e você é tão bordado de vida que eu me perdi nesses seus olhos que se parecem esmeraldas de tão verdes e brilhantes. E eu amo me perder cada vez mais nesse nosso desassossego cotidiano. Todos os nossos dias são diferentes, mas tão iguais quando se trata do amor que sentimos um pelo outro. E isso me mata! Mas de uma forma incrivelmente especial.
Acho incrível a forma em como você faz eu me sentir única, em como faz eu me sentir moldada pra te amar. Espero que a aventura de amar você seja surpreendente sempre e cada vez mais gostosa. Como flocos de algodão doce que derretem na boca; doces, amáveis e com um sabor indescritível.